segunda-feira, 14 de maio de 2007

Castro e Chávez: alcoólicos anônimos


    por Carlos Wotzkow em 12 de maio de 2007

  • Resumo: Só aqueles que não conhecem o poder dos granjeiros norte-americanos nas planícies centrais ignoram que mais da metade do território norte-americano orienta-se por regras socialistas de mercado centralizado. © 2007 MidiaSemMascara.org



  • “Os caudilhos Castro e Chávez viram de repente em Lula um competidor no mercado de crus dos Estados Unidos, e saíram como bons neoliberais a defender a dentadas o nicho que pensam ser de seu usufruto pessoal”.



  • Manuel Malaver
    Castro: Eu era um adicto perdido no álcool porém, desde que te encontrei já não necessito dele.
    Chávez: Bem, meu amor, então ajuda-me a elevar o preço de nosso produto familiar!
    Deixei passar alguns dias antes de opinar sobre o assunto, não só porque minha família, meus amigos e meu tempo de recreio são as três coisas que mais atenção merecem em minha vida e neste momento, mas porque estavam saindo muito bons artigos que tocavam no tema e o faziam com muito boa pontaria. Entre eles, vale destacar os de Jorge Hernández Fonseca, Manuel Malaver e Ernesto Betancourt. Desse modo, vou referir-me aqui ao que eles não abordaram sem deixar, é claro, de reforçar alguns de seus válidos enfoques.





  • Para começar, devo dizer que um dos atributos que descreve melhor um bom ecologista é sua evidente contradição entre o discurso e sua atuação pessoal. Nisto, Fidel Castro, muito mais que o tonto vice-presidente Al Gore, é um verdadeiro “mestre” meio-ambiental. O consumo elétrico das três casas principais do ditador cubano já superava o milhão de kWh em 1984, porém, em 1989 este impunha ao povo uma penúria energética que ele não padecia graças às linhas de segurança e múltiplos geradores “Made in the Capitalism” que tinha para seu uso doméstico.



  • Outro exemplo dessa contradição ecologista de Castro é o genocídio cubano (já perto das 100.000 vítimas) e que teve lugar direta ou indiretamente graças à sua cruel ditadura. Tal e como o fez o grande ecologista africano Robert Mugabe, Castro não cumpriu o prometido em seus discursos. Porém, se Jacques Costeau pudesse afirmar que Castro atuou “ecologicamente bem” (lembrem-se que a meta do francês era eliminar 350.000 pessoas por dia para salvar o planeta) assassinando a milhares de pessoas na África, América do Sul e no sudeste asiático, na vida privada Castro nos espoliou com quase nove filhos.[*]
    Bem, vamos ao que interessa: o etanol. Os primeiros passos interessados de Fidel Castro pelo álcool, que a indústria açucareira cubana produzia, datam de sua primeira visita à União Soviética. O plano para alcoolizar a população russa era vital para a KGB e Castro compreendeu, desde aquelas primeiras conversações em Moscou, que canalizar as frustrações de um povo ao consumo de álcool era uma magnífica solução para manter-se no poder, acusando depois de bêbados a todos aqueles oponentes que, de acordo com o caso, valesse a pena mencionar. Cuidado, Lula, que pode chegar a sua vez!
    Em 1995, Fidel Castro e Dwayne Andreas (ADM) jantaram juntos na cidade de New York. Ali iniciaram planos para que o magnata do álcool investisse em Cuba e reciclasse a indústria cubana do açúcar. Andreas queria convertê-la em uma indústria puramente “energética”. Um ano mais tarde, já tinha “amarrado” o mecanismo para burlar o embargo de seu próprio país: uma subsidiária espanhola (Alfisca) construiria a primeira refinaria de álcool a partir do melaço de cana em Cuba. Por sua parte, Castro já havia militarizado a gerência da indústria açucareira. O álcool era agora um produto “estratégico”.





  • Não creio que tenha necessidade de dizer-lhes que Dwayne Andreas é também um amigo íntimo da família Bush, ou que na década que respiramos, o alto preço do petróleo e os ecologistas de Al Gore puseram o etanol produzido nos Estados Unidos em um altar sumamente atrativo para a ADM e colaboradores. O que certamente é necessário lembrar é que no ano de 2000 Humberto Cabezas, Chefe de Relações Internacionais do Ministério da Indústria Alimentícia de Cuba, dizia que a ADM não era um competidor de Cuba e Ramírez de Estenoz (Chefe da Seção de Interesses de Cuba nos Estados Unidos) já havia visitado seus quartéis generais em Decatur, Illinois.





  • É curioso que Maxine Waters e Barbara Lee (D-Califórnia), Sheila Jackson (D-Texas), Julie Carson (D-Indiana), Gregory Meeks (D-New York) e Earl Hilliardorff (D-Alabama) e os Pastores pela Paz, tenham estado presentes em uma feira de produtos norte-americanos em Havana que foi patrocinada pela ADM. E se digo curioso não é por ironia, senão porque ficou amplamente demonstrado que desde o mencionado jantar, Fidel Castro conta nos Estados Unidos, não só com um aliado energético “oposto” ao embargo, mas com um advogado de suas próprias políticas que, como ele, sabe comprar congressistas e senadores quando seja necessário.





  • Etanol e açúcares derivados do milho foram dois dos produtos mais subsidiados nos Estados Unidos dentro dos programas de ajuda alimentícia ao Terceiro Mundo. Daí vem a imensa riqueza de Andreas que agora, para maior prepotência, pergunta a seus lugares-tenentes na Europa se os políticos estão se atrevendo a fixar preços ao etanol. Curioso, repito, porque o interesse de Castro não é o de atacar o etanol como produto competidor, mas o de elevar os preços do petróleo (lembrem-se que Castro é co-proprietário do petróleo da Venezuela) como uma medida de força contra a soberania e o álcool que pudesse vender ao Brasil.





  • Tanto Castro quanto Andreas sabem que o capitalismo norte-americano é pura falácia. Só aqueles que não conhecem o poder dos granjeiros norte-americanos nas planícies centrais ignoram que mais da metade do território norte-americano orienta-se por regras socialistas (quase comunistas) de mercado centralizado. Nada de livre mercado, a não ser que os congressistas em Washington queiram prescindir de 35% dos produtos alimentícios que consomem a preços baixos. Se você prestar atenção, os sub-produtos da ADM estão presentes em mais de 30.000 artigos de consumo no mundo inteiro.





  • Praticamente não existe um biocombustível que não envie uma atrativa fração de seus lucros para a ADM. Começando pelo etanol na época de Jimmy Carter e seus subsídios via o “Energy Tax Act” (1978), e terminando com Bill Clinton e seus empurrõezinhos de última hora em 1996 (ver mais abaixo). Se você é um bom observador, verá como todos, inclusive esse sábio ecologista anti-etanol de última hora chamado Castro, pagam seus tributos à Decatur. A ADM não só produz o álcool que possibilita um Martini, uma vodka, um licor jamaicano ou o sabor doce da Coca Cola. As essências da ADM estão presentes inclusive, no oficialista Havana Club.





  • Castro sabe que com a ajuda do petróleo venezuelano seu governo pode tirar um pouco mais e Andreas sabe que a ADM pode sobreviver sem a colaboração do governo de Castro, porém eles estão convencidos de que uma simbiose como a de ambos é sumamente beneficiosa para enfrentar o Brasil. Ao fim e ao cabo, o verdadeiro capitalismo selvagem é unicamente possível lá onde uma bandeira vermelha e um sistema comunista se permitam o abuso de dirigir os destinos de um povo inteiro. A ADM sabe que o açúcar se vende como em uma mini-OPEC e Castro é expert na destruição de indústrias nacionalizadas e na imposição de preços.





  • Experts a meu alcance afirmam que a deterioração acelerada da indústria açucareira cubana nos últimos 10 anos parece um acordo entre a ADM e Castro, ante as ameaças de Clinton de levantar o embargo. O fim do embargo ameaçava deixar o ditador sem a comissão desses milhões de dólares que lhe reporta a cana de açúcar produzida no sul da Flórida. Pode parecer uma ironia própria de Machiavel, porém a ausência de Cuba no mercado norte-americano garante o mercado do álcool de milho que a Decatur produz. Os elevados preços impostos ao açúcar que se vende nos Estados Unidos, além de afetar o Brasil, protegem a ADM da competição regional e engordam as arcas do ditador.
    Em 1996 (já mencionado acima) o presidente Bill Clinton ordenou que 30% dos postos de gasolina das cidades mais “contaminadas” vendessem produtos com etanol.




  • Imediatamente (dizem que no dia seguinte), Bill recebia um cheque de 100.000 dólares da ADM. Andreas insistiu publicamente que o envio de dinheiro e a ação presidencial foram simultâneas por pura casualidade! Porém, todos sabem como Bob Dole propôs um subsídio de 54 centavos pela compra do galão de etanol e impulsionou a legislação do “Clean Air Act” de 1992, no momento em que seus vínculos com Andreas eram, além de comerciais (aquisição de hotéis), muito familiares.





  • A ADM, portanto, é uma multinacional vinculada ao etanol e aliada de Fidel Castro. Castro esteve muito interessado, no princípio, pelo etanol que a cana de açúcar pudesse produzir, porém Andreas o convenceu a investir na indústria biotecnológica. Em vez de reparar uma indústria açucareira que se encontrava em ruínas, a ADM preferia pagar aos cientistas cubanos para que lhe produzissem quimicamente um equivalente protéico ao que produz a soja.





  • Dwayne Andreas certamente ajudou Castro (no plano econômico e no político) em várias oportunidades, porém sei que o velho ditador pagou um alto preço por esses serviços. Bush foi “negociar” com Lula, porém manteve as quatro pernas do sofá onde repousa a ADM intocáveis: (1) a produção do álcool de milho continua subsidiada; (2) o etanol do Brasil, com acordos ou sem eles, continuará pagando altos impostos de importação; (3) o açúcar a importar (venha de onde vier) tem uma quota estabelecida e (4), a política energética já tem sua ata desde 2005. Isto quer dizer que, até 2015, sete milhões de galões de etanos da ADM deverão ser utilizados como “energia renovável” dentro dos Estados Unidos.
    Em nível mundial os governos subsidiam a produção de etanol com somas que vão dos 6.3 a 8.7 bilhões por ano. A ADM controla 33% dessa produção. Tomando uma média de 7.5 bilhões, Andreas ganhará cerca de 2,2 bilhões, graças a essa ajuda governamental. Graças aos subsidiados esforços do ecologista Al Gore, o mundo se move para a produção de um de álcool que custa 2.8 dólares ao cidadão, enquanto que reporta um lucro líquido de um dólar a uma só multinacional: a ADM. Não esqueçamos que a ADM é o principal fornecedor dos biocombustíveis na Europa e que ninguém, nem mesmo os mais astutos economistas de Bruxelas puderam opor-se à sua invasão.





  • A ADM sabe que uma caduquice de Castro contra o etanol não passa de uma encenação. É apenas uma forma de consolo para o “beicinho” do tonto Hugo Chávez. Além disso, o etanol a partir da celulose de certas gramíneas já é um produto conhecido e os laboratórios de Havana, pagos pela ADM (?) trabalham por empreitada. Quando o produto se tornar comerciável, ou seja, dentro de muito pouco tempo, já não fará falta aos herdeiros de Castro contar com a depauperada Venezuela de Hugo Chávez. Então, veremos os venezuelanos com centenas de milhares de hectares de terras desmontadas e improdutivas, sem o açucar prometido por Castro, nem o etanol boicotado do Brasil.
    E ainda há os que falam de ecologia e de fome... Por favor, agora permitam-me uma cervejinha de milho e um sorriso!
    [*] Fidel (com Mirta Díaz Balart), Alexis, Alexander, Alejandro, Antonio; Ángel (com Dalia Soto del Valle), Alina (com Natalia Revuelta) e René (com Irma Sehwerert).
    Tradução: Graça Salgueiro


O autor(foto) nasceu em Havana, em 1961. Graduado como técnico veterinário e mais tarde Ornitólogo, foi expulso de Cuba em 1992, após passar pela prisão de Villa Marista. Já na Suiça, onde vive até hoje, estudou ecologia humana, ética e deontologia no Swiss Hospitality Engineering Consultants S.A e Biologia Molecular na Universidade de Berna onde trabalha como pesquisador. Autor de vários artigos, conferências e dois livros, dentre os quais “Natumaleza Cubana”, com prefácio de seu amigo Guillermo Cabrera Infante.

sábado, 12 de maio de 2007

Acredite: Em um Congresso cheio de mensaleiros, querem cassar o "Clô"


Era só o que faltava. Em um Congresso Nacional tomado, abarrotado de sanguessugas e mensaleiros, gente que comprovadamente vendeu o voto e foi buscar dinheiro vivo na boca do caixa, agora querem cassar quem? O Clodovil. É, o “Clô” para os amigos, “Vil” para os inimigos e “Do” para os íntimos, conforme ele mesmo já fez questão de ironizar.



Aquele estilista famoso há mais de 3 décadas que hoje é conhecido pelo sarcasmo, ironia e, não raro, pela grosseria com que se expressa.O líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), encaminhou nesta sexta ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma representação contra o Clodovil. Quer que o “Clô” perca o mandato. Ele alega que Clodovil ofendeu as mulheres, quando disse que muitas trabalham “deitadas”. Ficou injuriado também porque o “Clô” chamou a deputada Cida Diogo (PT-RJ), até então uma ilustre desconhecida, de “feia”. Para de mentir Clodovil, deixa de ser grosseiro.



A Cida Diogo é uma gatíssima.O deputado Luiz Sérgio diz ainda que Clodovil quebrou o decoro parlamentar por ter sido "preconceituoso, sexista e homofóbico" no exercício do mandato parlamentar. Acreditem: esse deputado está chamando o Clodovil de homofóbico. Nem a turma do Pânico foi tão criativa. Na opinião do líder do PT, Clodovil tinha o dever de manter comportamento ilibado na Câmara por ter sido eleito pelo povo brasileiro. Que bom que o partido dele, que fez o que podia e o que não podia para abafar a roubalheira nacional, agora está preocupado com o comportamento ilibado no Congresso.



Vejam senhores, há avanços no Congresso Nacional.A política brasileira é mesmo estranha, para dizer o mínimo. Estão lá no Congresso o João Paulo Cunha, o Waldemar Costa Neto, o Palloci, o Genoíno, o Jader Barbalho e tantos outros. Mas eles querem cassar o Clodovil por causa das besteiras que diz. Talvez se fosse desonesto, nosso “Clô” estivesse blindado.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

VIVA A RESISTÊNCIA FRANCESA


por Christina Fontenelle



Azul... Branco... Vermelho... As cores da França. Nada como ver as cores de uma nação ressurgirem das cinzas e da resistência a um coletivismo escravizador, em nome das sociedades compostas por indivíduos – estes, sim, voluntariamente unidos, mas em torno de ideais e de valores comuns, para construir um futuro digno, onde a convivência entre os homens e os povos dar-se-á pelo exercício consciente do livre arbítrio. Não haverá paz que dure se não for construída com base no exercício da liberdade. São os rebeldes do século XXI acenando as bandeiras da resistência – a nova resistência francesa.



Lições antigas de luta, de patriotismo e de liberdade que a França, mais uma vez, mostra ao mundo.Em algum ponto do acompanhamento histórico, perdeu-se a chance de registrar, na mídia, uma ruptura que aconteceu entre os senhores do mundo – as oligarquias transnacionais (e seu ideal comunizador) – depois do qual um dos grupos optou por não achar graça nenhuma num jogo de cartas marcadas, cheio de jogadores robotizados, com reações perfeitamente previsíveis (ou mesmo chegou à conclusão de que o custo para manter bilhares de indivíduos na neo-escravidão globalizada não compensaria os monótonos lucros – imensos, porém, não desfrutáveis). Os ideais de um mundo melhor, porém livre, não morreram.



Foram sim encobertos por uma nuvem de organizações mundiais que pretendem construir um mundo unificado que atropele as nacionalidades e as individualidades. Acontece que o homem é um indivíduo – e os indivíduos gostam de manter sua identidade e de, ao mesmo tempo, construir suas próprias formas de convivência pacífica com o diferente – com base no exercício de sua liberdade de escolha. Com a saída do premiê britânico, Tony Blair, do governo do Reino Unido, a Europa deve passar por uma reestruturação na administração de sua economia, diplomacia e de seu poder milita r. Esta pode ser uma boa pista. Sabe por que a França conseguiu mostrar essa reação ao mundo? Porque deu um show de democracia. É, um show. Espetáculo não é dar resultado de eleição quase que instantaneamente após o término das votações. Espetáculo é fazer valer a lisura do processo democrático. Show mesmo foi, no primeiro turno das eleições, todos os candidatos disporem de tempo equivalente de exposição nos meios eletrônicos – TV, rádio e internet, para expor suas idéias.



Nessa contagem do tempo considerou-se não apenas as campanhas publicitárias dos candidatos, mas também suas participações em programas de entrevistas. Show foi a recusa dos partidos em submeter as eleições francesas à caixa preta da urna eletrônica sem voto impresso. Cerca de 44,5 milhões de franceses registraram seus votos para presidente em postos espalhados pelo país e pelo exterior. Segundo o Ministério do Interior francês, cerca de 2 milhões de novos eleitores registraram-se para votar nas eleições de 2007. Destes, 1 milhão e 800 mil estão na França e outros 160 mil em outros países. Apenas 1,5 milhão de eleitores franceses (menos de 4% do total) votaram utilizando urnas eletrônicas. Mesmo assim, 68 mil pessoas assinaram, na internet, uma petição contra o uso destas urnas, que alguns qualificam de "máquina de fazer armadilhas". Foram 547 postos de votação no exterior para que os 820 mil cidadãos inscritos pudessem exercer seu direito ao voto, segundo o Ministério de Relações Exteriores da França. O país com mais franceses inscritos foi a Suíça (76 mil), seguida pelos Estados Unidos (74 mil), pela Alemanha (56 mil), pelo Reino Unido (53 mil) e pela Espanha (51 mil). Autoridades eleitorais enviaram aos postos fora da França 12 milhões de cédulas de votação, várias centenas de urnas e mais de 1 milhão de envelopes. Para quem sabe ler, "pingo" do "i" é letra. Nicolas Sarkozy foi à direita muito mais distante que Mitterrand à esquerda. Não se associou à Frente nacional. Não abraçou nem mesmo o extremismo de direita de Pen. Satisfez-se em lhe asfixiar.



Um vento novo começa a levantar-se. A maioria silenciosa encontrou o seu arauto. Sarkozy não tem a ambição de ser um intelectual. Sua preocupação, entretanto, em fazer uma refundação ideológica pode fazer dele uma espécie imprevista de Gramsci de direita, que se propõe a prever quais são os valores e as idéias que fazem mover as coisas. Descoberta de aplicação científica já citada por mim no artigo "Partindo Para a Ação", cuja ciência está em descobrir como usar a arma do inimigo em favor de si mesmo. Não somente neste, mas em outros artigos, eu tenho me atrevido a dizer (solitariamente, é verdade) que, ao contrário do que se pretendeu (e ainda se pretende) com o exagero midiático da repetição de mentiras, para que se tornem verdades, e da intenção nítida de promover a lavagem cerebral dos estudantes, falsificando a lógica e as verdades históricas, acontece o oposto, a olhos vistos: formou-se uma geração, ainda que paralela e não organizada, de seres instintivamente sedentos de verdades óbvias e desconfiados da repetição unânime de falácias que ofendem a inteligência e os instintos humanos. Falta pouco para que se reconheça como idealizadora da globalização idiotizante do império universal coletivizado as teorizações de Karl Marx sobre o capitalismo selvagem. Para o famoso teórico, o capitalismo caminharia inexoravelmente para a autodestruição determinada pela irreconciliável luta de classes - entre proprietários e não proprietários dos meios de produção. Hoje, a realidade comunista provou que o comunismo não é nada além do capitalismo abraçado, autoritária e exclusivamente, pelo Estado – que se torna o único patrão. Sarkozy pregou o ranascimento da meritocracia: "Numa sociedade justa, as distinções entre os cidadãos não devem depender do seu nascimento, da cor de sua pele ou dos estudos remotos - é o trabalho desenvolvido que deve ser o critério do sucesso. Os que querem trabalhar mais devem poder ganhar mais. Devem poder conservar o fruto dos seus esforços e utilizá-lo para preparar o futuro da sua família". O novo presidente da França disse que o país está "cheio de talentos que não chegam a desabrochar, porque não há respeito aos méritos de cada um e porque não há oportunidade para todos". Sarkozy afirmou ainda que "os que querem sair da precariedade devem poder contar com o apoio da comunidade – este é o tipo de solidariedade que queremos para a França". Sarko, como é chamado pelos franceses, pregou a união entre os países da Europa, mas com respeito aos diferentes povos que a compõem, de modo que não se tema, mundo a fora, pela formação de uma nova potência intimidadora.



Afirmou que a França deverá defender os seus interesses num mundo mais complexo, com firmeza, mas sem posturas inúteis, e levando em consideração a emergência de novas potências - China, Índia, Rússia e Brasil (é, ele disse isso do Brasil). É perigoso endeusar as pessoas. E não é conveniente que se faça isso com Sarkozy. Na verdade, pouco importa, agora, se o homem não cumprirá o que prometeu, se trairá as expectativas dos que o elegeram. O mais importante, neste momento histórico, é identificar o esforço dos franceses para manifestar sua aversão ao politicamente correto, à ditadura das minorias, às opções de busca de soluções pela divisão da sociedade em grupos irreconciliavelmente antagônicos, à coletivização do indivíduo – que fica sem identidade própria. Os franceses mostram ao mundo que desejam união mundial, sim, mas baseada em valores concretos não relativistas, em aprendizado de como conviver pacificamente com as diferenças – sem que haja obrigatoriamente a submissão de uns pelos outros.



Democracia se experimenta com voto explícito e liberdade se conquista com a eterna busca da verdade. Viva a resistência francesa! E que se espalhe, pelo Brasil, a ressurreição do verde e do amarelo! Não há um só passo que possa ser dado para solucionar os problemas que nos afligem que não deva ser necessariamente precedido pela reforma do nosso sistema de representatividade política e pela instituição do voto impresso na urna eletrônica.