quarta-feira, 2 de maio de 2007

O HEGEMONISMO DA BESTA TRIUNFANTE


por Augusto de Franco



Formou-se a mais poderosa coalizão de forças de nossa história recente em apoio ao governo corrupto de Lula da Silva. O arco de alianças vai desde uma organização política clandestina disfarçada de movimento social (o MST), passando pelas centrais sindicais (agora anexadas como aparelhos do Estado e financiadas com dinheiro público), por organizações totalmente degeneradas que remanesceram da época da luta revolucionária contra o regime militar, até chegar à grande maioria dos partidos (inclusive o PV de Gabeira – vejam só! – faz parte da base do governo...). Existem evidências importantes de que parte desse tenebroso ajuntamento tem raízes no crime organizado.



E começam a surgir sinais preocupantes da existência de ramificações do submundo do crime no judiciário, no legislativo e em vários governos. E tudo isso conta com o apoio de parte significativa do empresariado, em todos os setores da atividade produtiva, mas, em especial, nos bancos. Também não são desprezíveis os contingentes de articuladores e analistas políticos que estão passando para o lado do governo. Alguns de forma explícita: o caso inaugural foi o de Ciro, mas – como a caçamba seguindo a corda – veio também o vira-casaca Mangabeira; até o Padilha – campeão das articulações congressuais no governo FHC – passou-se de armas e bagagens para o lado do vencedor. Outros, de modo tácito, trabalham para sustentar o governo "do lado de lá", como é o caso do Aécio (e, agora, ao que tudo indica, do próprio Tasso).



Gente de mídia também anda doida para sentar no colo de Lula a partir dos empregos e outras prebendas que serão fornecidos pela TV estatal do "comissário" Franklin Martins. Sobrou pouca coisa fora dessa formidável articulação de forças regressivas: uma parte da imprensa, uma parte dos partidos ditos de oposição e um contingente considerável, porém difuso, de cidadãos indignados com o processo de perversão da política e de degeneração das instituições em curso no país a partir de 2003. Ora, ninguém monta uma estrutura desse porte – pagando o preço que tiveram que pagar quando vieram à tona os escândalos Waldomiro-Dirceu(foto), Mensalão-Valerioduto, Palocci-Casa dos Prazeres, Falso Dossiê– Entourage de Lula – para abandonar o poder. Sim, eles não pretendem sair do poder em 2010.


E não vão mesmo, a menos que façamos alguma coisa. Nós, quem?Não é incrível que pessoas tão inteligentes, que dedicaram uma vida inteira à função pública ou à prática da política, não estejam vendo isso? Como se explica essa miopia pandêmica? As explicações podem ser várias, mas do ponto de vista político existe uma que é central: a traição da oposição aos votos recebidos nas urnas de 2002 e 2006. Sem quem trave o combate político quotidiano, sem quem interprete e decodifique os atos do governo e do demagogo neopopulista que o chefia, sem quem defenda a democracia brasileira e as instituições republicanas da sanha lulopetista pelo controle do Estado e da sociedade, não há como fazer frente, nem no curto nem no médio prazo, ao hegemonismo da besta triunfante.

terça-feira, 1 de maio de 2007

“O BRASIL NÃO TEM POVO”

por Maria Lucia Victor Barbosa, socióloga.
Em 1881, em sua obra, L’esclavage au Brésil, Louis Couty afirmou:“O Brasil não tem povo”, pois, “em nenhuma parte se acharão massas de eleitores sabendo pensar e votar, capazes de impor ao governo uma direção definida”.Cento e vinte e seis anos se passaram desde que Couty apontou o triste fato: “O Brasil não tem povo”. Mas, será que já tem, apesar das mudanças ocorridas?Como é impossível analisar num pequeno artigo mais de um século de história, tomo como marco importante o processo de industrialização, iniciado nos governos de Getúlio Vargas e JK, que desembocou no atual perfil do Brasil urbano e em parte modernizado. Persistem, é verdade, os contrastes sociais. Predominam na pirâmide social os mais pobres. Mas, bem diferente do século em que Couty nos visitou agora temos classes médias e uma elite econômica. Mesmo assim, perdura nosso subdesenvolvimento político que, associado ao vácuo de valores que hoje se observa, leva a indagar se Couty continua ou não tendo razão.
Afinal, são eleitos e reeleitos notórios bandidos, trambiqueiros, mentirosos, tanto para o Poder Legislativo quanto para o Executivo e, em muitos casos, não se distingue entre desembargadores, juízes, advogados, políticos, bicheiros e qualquer tipo de marginal. Isto pode significar que são poucos os eleitores que sabem pensar e votar, sendo ao mesmo tempo incapazes de impor ao governo uma direção definida.A péssima escolha de nossos representantes pode ainda refletir uma profunda identificação popular com seus eleitos no que eles têm de pior, o que indicaria que não temos povo, mas plebe. Ao mesmo tempo, há muita ignorância relativa aos candidatos no que concerne às suas trajetórias políticas, demonstração de que conhecimento e informação não são coisas idênticas, pois não faltam, ainda que filtradas, informações sobre o festival de falcatruas prodigalizado por quem deveria dar o bom exemplo. Paradoxalmente isso acontece apesar da profusão de ONGs, centrais sindicais, associações de artistas e de intelectuais, dos chamados movimentos sociais, enfim, de tantas entidades que vão das associações de moradores à OAB, à ABI, à UNE, à CNBB e muitas outras, agora denominadas de redes sociais que alguns imaginam ser fontes de conscientização, civismo e solidariedade.
Portanto, as redes sociais que sempre existiram, mas que com a complexidade urbana aliada à velocidade dos meios de transporte e comunicação (Internet e telefonia celular entre as mais recentes e notáveis revoluções da comunicação) se multiplicaram, não produzem necessariamente o cidadão cônscio, o indivíduo capaz de otimizar seu livre arbítrio, o ator que interfere em seu tempo. Novas “comunidades” nem sempre são atestados de “novo cidadão” solidário. Na diversidade do mundo atual onde os grupos “primários” como a família são trocados por grupos “secundários”, estes podem também abrigar redes, por exemplo, de criminosos, de terroristas, de narcotraficantes que possuem um tipo de solidariedade, de aprendizado e de projetos comuns, mas que estão bem longe do homem naturalmente bom de Rousseau ou do revolucionário “para si” de Karl Marx, que o conteúdo do termo rede social quer ressuscitar.Conferir à humanidade de hoje virtudes excelsas que ela jamais possuiu, é tão falso quanto o dilema indivíduo x sociedade, pois o que existe é uma interação entre o ser humano e seu ambiente sócio-cultural.Finalmente, se mudanças sempre estão ocorrendo, pois a vida é dinâmica, por trás das transformações materiais, valorativas e comportamentais certas essências humanas nunca mudam e a humanidade como um todo permanece ignorante, crédula e facilmente manipulável.
No nosso caso, apesar das redes sociais prevalece o “mesmismo” de que falou Roberto Campos e uma acachapante e piorada passividade que tudo aceita como natural e politicamente correto. E continuamos, como, aliás, acontece com todos os povos, tangidos por poderes mais altos e ocultos em bastidores inacessíveis ao vulgo.Concluindo, apesar das redes sociais o homem continua, como disse Henry Louis Mencken, “o caipira par excellence, um ingênuo incomparável, o bobo da corte cósmica. Ele é crônica e inevitavelmente tapeado, não apenas pelos outros animais e pelas artimanhas da natureza, mas também (e mais particularmente) por si mesmo – por seu incomparável talento para pesquisar e adotar o que é falso, e por negar ou desmentir o que é verdadeiro”. No nosso caso, isso muito se acentua e de certo modo explica, entre outras causas históricas e culturais aqui não abordadas, porque o Brasil não tem povo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

O CINEMA DA PETROBRAS

por Ipojuca Pontes

Engana-se redondamente quem imagina que o cinema nacional, custando perto de R$ 800 milhões anuais ao bolso do contribuinte, tem algum compromisso com o desenvolvimento industrial e a auto-sustentação da atividade. Na verdade, o cinema da Era Lula é antes de tudo um fato político para servir de arma contra o capitalismo e a propagação e implantação da “idéia” socialista – que se sabe um horror.

A proliferação de inúmeras escolas e cursos de cinema nas universidades de todo Brasil não tem outro objetivo: formar (precariamente) magotes de cineastas (“quadros”, na linguagem dos PCs) engajados na “luta transformadora” para moldar, por meio de “filmes conseqüentes”, a criação de um novo “senso comum” – eles formam uma “tropa de choque” na área da “mais importante de todas as artes” (Lenin) para formular uma interpretação crítica da história comprometida com a versão marxista da “nossa realidade”. Como peças instrumentais para a criação de um “novo senso histórico” são manuseadas, em tais cursos, com fé mística, as lições contidas nos “Cadernos de Gramsci” e nas apostilas dos obtusos cursos da Escola de cinema de Cuba.

Neste segundo período do governo Lula, que está querendo estabelecer um império de mil anos, o cinema tem importante papel a cumprir. Por enquanto, a exemplo do que ocorre com a literatura engajada dos cientistas sociais, a “revisão crítica” da história recente do país é a tarefa que vem sendo “construída” pelos mentores oficiais da atividade cinematográfica. Assim, com os fartos recursos de empresas estatais como a Petrobras e a Eletrobrás, e de bancos como o BNDES, transformados em núcleos de produção a serviço da “causa”, o cinema milionário elegeu como tema a ser explorado o arregaço da ditadura militar de 1964.

Pelo que consegui contabilizar, desde “Olga” até “Batismo de Sangue”, exemplar mais recente, elevam-se a 12 o número de filmes sobre o assunto, todos de orçamento milionários (também em dólares), alguns com dispendiosas filmagens no exterior. O que nivela tais produções, além do dinheiro grosso investido sem retorno econômico, é o absoluto empenho em mistificar os fatos históricos ocorridos naqueles dias. Em tais filmes, o terrorista de esquerda é tratado como o supremo agente do bem - mocinho empenhado numa luta de vida ou morte para restituir as liberdades democráticas ao país. Mas os fatos históricos reais ocorridos no pré-contragolpe de 64 são sonegados ao público, em geral, de modo vergonhoso.
Por exemplo, em nenhum deles se menciona que Francisco Julião e Clodomir Moraes, já em 1961, recebiam armas e dinheiro de Fidel Castro, o tirano moribundo, para fomentar com as Ligas Camponesas a “revolução do campo” no Nordeste. Nem tampouco se referem à agitação do Partido Comunista, levada adiante com pronunciado ativismo, nas universidades, nas fábricas, nos sindicatos, associações, quartéis e nos meios de comunicação. Nunca se informa ao espectador que Dante Pelacani, sindicalista corrupto, tratava Jango - o boneco manco das esquerdas organizadas - por “tu” e enfiava o dedo em riste nas ventas do Presidente. Nem que delegações maoístas desembarcavam da China com maletas cheias de dólares para promover a subversão do regime e nem tampouco se mostra que o país, paralisado por greves permanentes, caminhava para uma hiperinflação digna de fazer inveja ao futuro desgoverno de Zé Sarney, o Bengalinha.

Pelo que sei da história do sacrificado dominicano Tito - personagem do livro “Batismo de Sangue”, de “frei” Beto (vai com um “t” só, pois, no seu caso, dois é demais) - ele representa o típico caso do inocente útil manipulado pelas mãos de comunistas delirantes, tipo Carlos Marighella, que tinha por objetivo erguer no Brasil, sob a bandeira da “defesa das liberdades”, um governo totalitário semelhante ao implantado por Fidel Castro em Cuba. O caso de Tito é, nas devidas proporções, o mesmo do camponês paraibano João Pedro Teixeira, assassinado e, depois, feito mártir pelos comunistas que incensavam no seu limitado ouvido, dia e noite, a cantilena da revolução agrária tendo ele, João Pedro, como “líder histórico” da empreitada.

(No meu entendimento, acho o que os militares têm a sua parcela de culpa neste processo de lavagem cerebral posto em marcha, a todo vapor, pelo cinema da Era Lula: foram eles que, com a criação da Embrafilme, estatizaram a atividade cinematográfica e, pior que isso, não fizeram da empresa cinematográfica um órgão de denúncia contra a ação contínua da máquina esquerdista - nacional e internacional - sempre envolta em sangue, conchavos, falsificações e mentiras. Pelo contrário: permitiram que a empresa, tendo a frente tipos como Celso Amorim, “O Vermelho”, produzisse filmes contra eles próprios).

O mundo preconizado por “frei” Beto, o guia espiritual de Lula e similares, está ai diante dos olhos de todos. Em vez de paz e justiça, prevalece nele a maior soma de patifarias, injustiças e violências jamais vividas em qualquer governo “burguês” da nossa história. O próprio “frei” Beto - hoje da “classe dominante” e então assessor direto de Lula da Silva, com sala anexa ao “companheiro” Presidente - foi testemunha omissa da imolação de José Antonio, o ajudante de pedreiro que depois de uma semana de amargura ateou álcool no próprio corpo, como ato de repúdio ao descaso geral, diante do palácio do planalto ocupado pelos petistas e esquerdistas das mais diversas tendências e tonalidades.

Um fato, no entanto, é consolador em meio da mistificação geral produzida pelo cinema “engajado”: à proporção que os orçamentos de tais filmes aumentam de forma galopante, o público volta-lhe às costas. Em geral, são exibidos para um pequeno gueto de “iniciados” e sequer conseguem pagar as cópias.
(Vai ver que é por isso que o preço da gasolina da Petrobras, cada vez mais misturada, só faz subir).