quinta-feira, 26 de julho de 2007

TESTEMUNHO


Da gang do mensalão, dossiê tucano ao assassinato da TAM...Estão todos no governo do crime(foto)!
por Denis Rosenfield



Nada como uma experiência, por mais lamentável que seja, para que se possa ter uma idéia mais precisa, e mais real, do que acontece no tráfico aéreo brasileiro. E deve ser bem uma questão de tráfico, de influência, de recursos públicos, de cargos loteados entre os companheiros e de incompetência administrativa. As companhias aéreas, provavelmente de tão protegidas oficialmente, parecem nada temer. Se a impunidade reina, como revelam os escândalos do mensalão, dos companheiros-aloprados, dos sanguessugas, nada mais normal para as ditas empresas de aviação seguirem o mesmo caminho. Lula se deu ao luxo de emprestar a sua solidariedade e compreensão para todos os companheiros envolvidos com o desvio de recursos públicos. Foi ele também incapaz de prestar solidariedade e apoio aos familiares das vítimas do acidente da TAM. Deveriam os donos das empresas de aviação comportar-se diferentemente? Terão igualmente o seu afago! Segunda à noite, 23 de julho, eu tinha um vôo previsto da TAM de Londrina para Curitiba, tendo Porto Alegre como destino.



Fiz check in 40 minutos antes do embarque, às 19.15 horas. Disseram-me que havia um atraso de pelo menos 1.30 hora, devendo eu aguardar. Foi o que fiz. Depois de sucessivos atrasos, fomos chamados para o embarque às 22.30 horas. Um pouco antes de entrarmos no avião, fomos avisados de que o aeroporto de Curitiba estava fechado e, caso não fosse possível pousar neste aeroporto, o faríamos no aeroporto de Joinville ou no de Florianópolis. A companhia poria um ônibus à disposição para fazermos o deslocamento para Curitiba. Já dentro do avião, o comandante confirmou o que acabo de relatar.



Depois um silêncio de mais de uma hora, dentro da própria aeronave, sem que nenhuma informação fosse prestada, apesar da insistência dos passageiros, nada foi comunicado. As comissárias diziam que iriam se informar, pois o comandante estava sempre no telefone, não podendo nos atender. Fechado na cabine, assegurava o seu isolamento. Havias pessoas com fome, cansadas, algumas, devido a conexões, com mais de 40 horas de problemas. De repente, sem que nada fosse explicado, foi-nos comunicado que o vôo estava cancelado. Simplesmente isto. Cancelado! Houve ainda um toque de maior perversidade quando um comissário ainda nos informou que não havia hospedagem prevista, nem possível, em nenhum hotel de Londrina. Simplesmente isto. Desembarquem e se virem, esta foi mensagem! Direito do consumidor? Existe isto?Jamais tinha visto tal grau de desrespeito para com os clientes, que, aliás, pagam por esse péssimo tratamento. Devemos ser masoquistas! Eles, porém, enchem os bolsos! É como se os cidadãos desse país, fossem gado, manipulado por empresários inescrupulosos, mancomunados com as ditas autoridades (ir)responsáveis.


Não há nem para quem apelar, pois os (ir)responsáveis da ANAC e da Infraero contribuíram fortemente para que o país chegasse a essa situação de calamidade. Uma passageira gritou: quem votou em Lula? Ninguém respondeu. Os eleitores foram para o espaço, junto com a credibilidade dessas ditas empresas.A desdita não terminou, porém, aí. Comprei uma outra passagem de Londrina para Porto Alegre, na Gol, com partida prevista às 6.15 horas da manhã. Voltei para o hotel no qual estava hospedado e, graças a isto, consegui um quarto. Dormi 3 horas e, às 5.15 horas estava no saguão do Hotel. Encontrei, por coincidência, um funcionário da Gol que tinha vindo avisar outros passageiros de que o vôo estava cancelado. Contudo, tinham outro avião chegando para o vôo das 12.40 e que seria conveniente aguardarmos no Hotel. Conselho sensato naquela circunstância. Eles viriam por nós às 10.30 horas. Vieram, na verdade, às 11 horas para nos dizer que esse vôo estava 3 horas atrasado, sem nenhuma previsão. Ademais, havia uma possibilidade de cancelamento muito forte, acima de 50%, segundo ele por condições metereológicas. Foi-nos, então, dada a alternativa de viajarmos de ônibus para Porto Alegre, Passo Fundo, Curitiba e São Paulo. Uma mesma proposta tinha sido feita pela TAM para outro passageiro, com quem tomei o café da manhã, às 6.00 horas.


E alguns aceitaram satisfeitos! A isto chegamos! Imaginem a cena: funcionários oferecendo viagens de ônibus para clientes de companhias aéreas. As empresas aéreas estão se tornando empresas de ônibus! O caos aéreo está resolvido. Os aviões serão vendidos e, em seu lugar, elas comprarão ônibus! Eis a nossa nova modernidade. Eu, de minha parte, aluguei um carro com motorista e fiz uma viagem de 14 horas, chegando a Porto Alegre, às 3.00 horas da manhã. Perguntei-me se tinha voltado no tempo. Indaguei-me também: quem votou em Lula?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

INDIGNAÇÃO DEMOCRÁTICA


por Sebastião Paixão Jr.


Creio que todos os cidadãos que se julguem probos e honestos estejam insatisfeitos com os desmandos da política. Acontece que nossa insatisfação é passiva e inerte. Objetivamente, não fazemos nada para mudar uma corrupção cada vez mais escancarada e ordinária. Os lacaios da política perderam todos os limites éticos; solapam abertamente o patrimônio público e, no seu íntimo, devem dar uma bela gargalhada daqueles que se atrevem a impugná-los. A extrema ousadia dos corruptos é respondida com uma conivência cândida por aqueles que se julgam de bem. Com isso, silenciosamente, aceitamos todos os abusos que ocorrem no país. E o mais grave: somos partícipes omissos dessas desventuras.A questão é que não queremos nos incomodar. Afinal, porque eu deixarei tranqüilidade do lar e da vida privada para comprar briga com poderosos profissionais da corrupção? Para que suportar pressões e eventuais ameaças sobre minha família? Por que, logo eu, terei que tomar a iniciativa se esse país está fadado ao martírio da desonestidade? Imaginar um Brasil honesto não seria coisa da ingenuidade juvenil? Enfim, é assim que pensamos.



Cremos que a situação é insolúvel, pois tudo parece estar corrompido. Enquanto isso, os lobos fazem a festa para o olhar passivo dos cordeiros.A nossa inação está nos matando. Entregamos, todo mês, 27,5% de nossa renda para um governo que sequer possui escolas decentes para nossas crianças; para um governo que sequer proporciona uma saúde pública mínima e eficaz; para um governo que oferece uma previdência pueril; para um governo que não consegue construir estradas e aeroportos com condições de dirigibilidade e segurança; para um governo que deixa nossas florestas serem devastadas à luz do sol; para um governo ineficiente e, pior, completamente omisso no combate da corrupção endêmica que se espalha por todos os quadrantes do setor público.


Ora, é no seu salário suado, contribuinte, que estão botando a mão e você ainda fica quieto?Somos uma democracia, mas não temos cultura democrática. Nossa apatia diante da escancarada desonestidade política revela nosso pouco apreço às instituições republicanas. O recente escândalo do Senado é paradigmático. A presidência da Alta Casa legislativa, que deveria ser sinônimo de austeridade e decência, vê-se envolvida em denúncias indecorosas de grosso calibre. E, ao invés da preservação do Senado da República com o afastamento do cargo até o final das investigações, prefere-se a manutenção das influências do cargo para fins de interesse pessoal. O Conselho de Ética, órgão responsável pela proteção do decoro e da dignidade legislativa, é outro retrato da desordem; de tantas idas e vindas, virou exemplo do descrédito parlamentar e da ética do faz-de-conta. Se isso não bastasse, vimos novamente a renúncia servir de válvula de escape.


Para um sistema que privilegia a impunidade reinante, a renúncia parlamentar não deixa de ser uma honrada forma covarde de dizer adeus sem a perda dos direitos políticos. E não é de se duvidar que, no próximo pleito, a saída pela porta de emergência seja premiada com o voto altista do eleitorado. Com isso, nossas instituições definham com uma assustadora conivência das urnas. A questão é: o que fazer?Ora, resta claro que o problema do Brasil não é a falta de dinheiro; recursos sobram até pelo ralo. O que nos falta é indignação democrática que faça e exija seriedade e decência daqueles que se querem políticos. A democracia não sobrevive sem a devida responsabilidade dos agentes públicos. E somos nós, cidadãos, que temos o ônus de cobrá-la. Estamos chegando a um momento limite da vida política brasileira: ou retomamos e fazemos valer as regras do sistema democrático-constitucional ou seremos tragados por um movimento político de dominação definitiva da coisa pública para fins privados e partidários. Talvez, quando nos dermos conta dos efeitos nefastos da nossa conivência inerte e passiva, já seja tarde para lutarmos pelos direitos da liberdade. Até ela – liberdade – já vai ter sido roubada.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

IRRESPONSABILIDADE ASSASSINA

*Lembremos também dos que "metem a mão na merda por Lula"


por Maria Lucia Victor Barbosa




Mais uma vez o luto e a dor se abatem sobre o País. Em setembro do ano passado foram 154 mortos no que se chamou de pior desastre da aviação brasileira. Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades para resolver o caos aéreo. Apenas promessas vagas. Simulações de ordens partindo do presidente da República. Eleição de culpados como pilotos norte-americanos ou cachorro na pista. Bilhões gastos no PAN. Nenhum recurso para renovação dos aparelhos de controle aéreo. Nenhum treinamento para novos controladores de vôo. Obras suspeitas de superfaturamento em Congonhas.Agora o pior acidente foi superado. Já se fala em quase 200 mortos, incluindo as pessoas que estavam no prédio da TAM. Mais uma vez emerge claramente a incompetência assassina, a indiferença brutal, a covardia das esquivas, o cinismo das explicações que não explicam.






Tudo isso não vem do botequim da esquina, mas das autoridades constituídas que incluem, naturalmente, o presidente da República.Onde está o sempre confuso e inoperante ministro da Defesa? Onde está o comandante da Aeronáutica para dar explicações adequadas à Nação? Onde estão os responsáveis pela Infraero e pela Anac? Onde está o presidente da República, que tão afeito a luzes e câmaras, a constantes aparições televisivas desta vez não entrou em cadeia de rádio e televisão para consolar as famílias enlutadas? Ou avião é coisa de rico e ele só se dirige aos pobres, aos grotões que digerem facilmente seu gesticular furioso e alucinado, que se empolgam com seus esgares e com seu palavreado chulo próprio dos demagogos que, sedutores de massas entusiasmam os mais carentes? As autoridades (in)competentes estão mergulhados em silêncio ensurdecedor.






Será que o presidente Lula da Silva não aparece por estar de ressaca cívica depois das vaias recebidas no Maracanã de 90 mil gargantas? Pode ser, pois, em que pesem as teorias delirantes e sem nexo dos seus áulicos, dos ptbulls hidrófobos que tentam explicar o monumental apupo, LILS sabe que por uns momentos, os mais constrangedores pelos quais já passou, ficou nu como o rei da história. O gigantesco palanque constituído para sua apoteose triunfal no PAN falhou miseravelmente. Simplesmente porque não houve controle oficial. Aquilo foi diferente dos auditórios fechados, das platéias selecionadas, das claques que o aplaudem em comícios encomendados e em inaugurações planejadas. E ele deve saber que a perniciosa e venenosa tese da "elite branca" especialmente postada no Maracanã para vaiá-lo, não passa de um blefe ideologicamente imbecil dos companheiros. Por tudo isso, quem sabe, Sua Excelência está sem ânimo para se dirigir aos brasileiros nesse momento de tanta dor. Prefere convocar uma reunião no Palácio e chamar alguns de seus auxiliares.






Eles discutem como poderão tirar partido da desgraça para exaltar ainda mais a figura luminosa do salvador da pátria. Decreta-se luto oficial. Aposta-se no esquecimento rápido de mais essa tragédia. Pede-se tempo para averiguar os fatos. Elabora-se algumas teorias idiotas para justificar o acidente, e pronto. E só aguardar a próxima queda de avião, porque a continuar a incompetência assassina governamental o horror irá fatalmente se repetir. Pena que agora não tem pilotos americanos para levarem a culpa. Mas não é difícil incriminar o piloto que não conseguiu frear o avião. Alguém tem que ser culpado. Menos a Aeronáutica, a Infraero, a Anac, o tartamudeante ministro da Defesa e, principalmente, o presidente da República. Este, além de ser infalível como o Papa, de nada sabe, nada vê, por nada é responsável. Se fosse outro o presidente o que fariam os petistas? No mínimo pediriam o impeachment.






Lula, porém, é intocável. Mas quantos ainda morrerão assassinados oficialmente pela incompetência das autoridades? Não se sabe. Melhor recorrer às estradas. Mas com muito cuidado porque estão em péssimo estado. Como tudo nesse governo, a operação tapa-buraco na última campanha presidencial foi uma farsa. Mais uma como o fracassado Programa Fome Zero ou seu substituto Bolsa Família que tem problemas de fraudes em 90% das cidades recentemente auditadas. Sem falar nas inexistentes PPPs e outras propagandas enganosas. Nas estradas ainda há chance de sobreviver.




Nos aviões é quase impossível. Ainda que os pilotos sejam de uma habilidade e de uma competência incríveis para poder contornar todos os perigos oriundos do controle aéreo, das pistas molhadas, etc. Eis a condição dos meios de transporte num país com as dimensões do Brasil. E o presidente da República ainda tem o desplante de dizer que nunca estivemos tão bem desde a Proclamação da República.Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista? O que somos, um rebanho imbecilizado ou um povo capaz de cobrar de seus governantes o cumprimento dos deveres para os quais os elegemos? Quantos ainda morrerão em desastres aéreos para que o Brasil possa acordar dessa letargia idiotizante?